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Fotografias de ensaio por Margarida Araújo.

Ficha Artística

Autor | Angus Cerini
Tradução e dramaturgia | Isabel Lopes
Encenação e dispositivo cénico | Fernando Mora Ramos
Desenho de luz | Hâmbar de Sousa
Banda sonora e desenho de som | Francisco Leal
Pintura de pano terra | Bartolomeu Gusmão
Guarda Roupa | Acervo do Teatro da Rainha
Interpretação | Isabel Lopes, Mafalda Taveira e Marta Taveira
Criação de imagem e design gráfico | José Serrão

M/16 | 90m

Coprodução | Teatro da Rainha, CCC – Centro Cultural e de Congressos das Caldas da Rainha.

  • ESTREIA13 de Março de 2026 | Pequeno Auditório do CCC

HORÁRIO

Dias 13 a 14, 19 a 21, 26 e 27 de março | 21H30
Dias 15 e 22 de março | 16H00
Dias 18 e 25 de março | 19H00

PREÇÁRIO

BILHETE GERAL: 12€
BILHETE ESTUDANTE | SÉNIOR | GRUPOS 5: 8€
BILHETE ESTUDANTES DA ESAD: 4€
BILHETE PROFISSIONAIS DAS ARTES: 5€

A HISTÓRIA DE UM PARRICÍDIO

Angus Cerini é australiano, talvez o grau de desconhecimento da sua dramaturgia rime com a distância. É, no entanto, um autor híper premiado, um dramaturgo inovador – palavra gasta que aqui vale -, isto é, não só mete o corpo no que escreve – é performer, faz dança – mas sobretudo é capaz de inventar toda uma comunidade local pela voz entretecida de uma surpreendente narrativa a três – escrita para três atrizes que dão corpo a uma família, duas filhas e uma mãe.

A Árvore que Sangra é a história de um parricídio. Mãe e filhas matam o pai. O caso é claro: reféns de um abusador alcoólatra capaz de todas as violências, mesmo violar uma das filhas, chegou o momento de o parar. O caso pode não espantar – não espantará, não será o desígnio da peça? – num mundo que mergulhou na violência genocida e na destruição total.

Genial nesta peça é além do tema – com a intensidade do “crime” da tragédia, das medeias, édipos, das clitemnestras – o modo de a pôr em cena contando uma história logo lendária para arquivar na memória vivificada de uma comunidade e logo do mundo, dada a condição especificamente humana do acontecimento e dos seus autores. Estamos diante de um teatro antropológico, diante da ideia de reunir uma comunidade num serão – como no teatro se faz – para testemunhar limites e excessos, para aprender que a desumanidade é própria dos humanos e só a memória nos pode redimir desses excessos, da sua repetição.

Deste modo, as três atrizes, cometido o crime, vão encenando entre elas as formas de o relatar – ou de o esconder da – à comunidade e vão dando corpo às figuras que vão surgindo, o carteiro que é polícia, a vizinha, o vizinho, etc. É na narrativa e, portanto, de modo estranhado na medida em que as três figuras femininas são todas as personagens, que assistimos ao surgir de uma cumplicidade pelo acto de libertação cometido pelas três mulheres. Fez-se justiça humana.

Esta é uma peça sobre o abuso sexual, o machismo extremo, sobre a chamada violência doméstica, infelizmente tão comum entre nós.

Fernando Mora Ramos