De Alvaro García de Zúñiga fez o Teatro da Rainha, em 2013, o espectáculo “38”. Em 2016, “s/t” e “Remaining calm” integraram “Pensa, logo sangra”, ao lado de textos de Joseph Danan e Gregory Motton. Já em 2018, em regime de coprodução entre o Teatro da Rainha e a blablaLab, “Teatro Impossível” foi encenado por Fernando Mora Ramos a partir de uma montagem de textos realizada por Teresa Albuquerque, que, em 2021, encenou “O Teatro é puro Cinema”. Trata-se, portanto, de uma relação profícua com uma obra altamente estimulante quer pela multidisciplinariedade que lhe é inerente, quer pela impressionante prolixidade do autor.
Escritor, encenador, realizador, compositor de origem uruguaia radicado em Portugal após uma vida de errância por Londres, Madrid, Paris, Colónia, Alvaro García de Zúñiga (Montevidéu, 1958 – Lisboa, 2014) formou-se em música (violino e composição) e foi autor de peças de teatro, argumentos para cinema, uma adaptação para ópera, várias obras em prosa e poesia. O carácter multiforme e multilingue da sua produção escrita dificulta, porém, qualquer tentativa de organização segundo géneros, já que estes se fundem e confundem em textos de natureza ambivalente. Experimental, por certo, como sempre são os melhores, na mesma medida em que atento e crítico do real, assim como obstinadamente lúdico no tratamento da linguagem.
Sendo a língua – ou mais exactamente as línguas – a matéria-prima do seu trabalho, através de processos de reinvenção semântica, desconstruindo sentidos e normas linguísticas com reconfigurações sonoras e visuais da palavra, a sua obra, como notou Manuel Portela, «expande a invenção do humano no interior da experiência íntima da linguagem, instanciando graficamente a sua loucura alucinatória.» Em 2024, o Centro de Literatura Portuguesa da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra dedicou à obra de Zúñiga o encontro «A.G.Z. pequenas explosões: leitura mista e escrita composta», levando a cabo um criativo conjunto de hipóteses de leitura através de princípios de escrita colaborativa.
Oferecer um Diga 33 – Poesia no Teatro à multifacetada produção do poeta Alvaro García de Zúñiga será também uma forma de compreensão em acção, através da releitura de textos dotados de uma inegável componente oral. Em poucos casos como este fará tanto sentido falar de poesia, palavra cuja raiz etimológica significa fazer, criar, produzir. Regressa assim o Teatro da Rainha a este universo singular numa viagem em diálogo com Teresa Albuquerque, directora da Fundação da Casa de Mateus, com quem Zúñiga criou a Associação blablaLab, laboratório de linguagens e formas artísticas, a quem se juntarão outros convidados que a seu tempo anunciaremos.
- DATA15 de Setembro de 2026
- HORÁRIO21h30
- BILHETE GERAL4 €
- INFORMAÇÕES E RESERVAS262 823 302 | 966 186 871 | geral@teatrodarainha.pt
- LOCALPequeno Auditório do CCC - Centro Cultural e Congressos de Caldas da Rainha | R. Dr. Leonel Sotto Mayor 23D, 2500-227 Caldas da Rainha



