Alcoólatra, vadio, proxeneta, obsceno, viciado, machista, são alguns dos epítetos com que o norte-americano Charles Bukowski foi brindado ao longo da vida. Quisemos começar 2026 com ele, não por ser norte-americano, nascido fora da América, como tantos outros, nem pelos agnomes que dele fizeram um dos malditos mais populares da literatura produzida durante o século passado. Quisemos começar com ele por vislumbrarmos na sua escrita desbocada uma vontade de mandar o mundo às malvas, o mundo dos hipócritas, o mundo dos usurários, o mundo dos agiotas, dos avarentos, dos tartufos, dos velhacos, dos pérfidos, dos criminosos que governam este mundo cada vez mais distópico. A poesia é também um lugar no mundo que nos permite estar fora do mundo, um lugar de liberdade livre, como queria Rimbaud, e Bukowski se encarregou de pôr em prática.

Dia 20 de Janeiro, às 21h30, a voz de Charles Bukowski ecoará na Sala Estúdio do Teatro da Rainha sob a música de José Anjos, poeta, diseur, músico com vasta experiência nos terrenos em que a linguagens poética e musical se cruzam. Será este um momento de experimentação em que se fará uso do que a tecnologia hoje permite em matéria criativa contra o que com ela se confecciona em matéria destrutiva.

Charles Bukowski nasceu na Alemanha em 1920, embora tenha crescido e vivido durante cinquenta anos em Los Angeles. Publicou o primeiro conto em 1944, dedicando-se mais recorrentemente à poesia a partir dos trinta e cinco anos de idade. Morreu em 1994, aos setenta e três anos, pouco tempo depois de completar o seu último romance: “Pulp”. Viu publicados em vida quase cinquenta livros de prosa e poesia, entre os quais volumes de contos, crónicas, romances. É um dos autores americanos mais conhecidos a nível mundial, possivelmente também pela aura maldita e marginal que expôs numa obra fortemente autobiográfica que tem no alter ego Henry Chinaski a sua principal criação. Tem vindo a ser publicado em Portugal por várias editoras, estando todos os seus romances, dentre os quais “Correios” (1971) foi o primeiro, disponíveis em língua portuguesa. Em 2018, a editora Alfaguara publicou, com tradução de Rosalina Marshall e organização de Valério Romão, a antologia poética “Os cães ladram facas”.

José Anjos (1978) foi advogado durante doze anos, dedicando-se agora às actividades de escritor, diseur, músico e programador. Participa em vários projectos como baterista (não simão, A Favola da Medusa), guitarrista (Poetry Ensemble e mao-mao) e diseur (Lisbon Poetry Orchestra, No Precipício era o Verbo, Navio dos Loucos, O Gajo). Publicou os livros de poesia “Manual de Instruções para Desaparecer” (2015, Abysmo), “Somos contemporâneos do impossível” (2017, Abysmo), “Uma fotografia apontada à cabeça” (2019, Abysmo), “O escultor de pássaros livres” (2021, Nova Mymosa), e “Exorcismos de estilo” (2023, Paper View Books).

  • DATA20 de Janeiro de 2025
  • HORÁRIO21h30
  • ENTRADA3€
  • INFORMAÇÕES E RESERVAS262 823 302 | 966 186 871 | geral@teatrodarainha.pt
  • MORADASala Estúdio do Teatro da Rainha | Rua Vitorino Fróis - junto à Biblioteca Municipal - Largo da Universidade | Edifício 2 | 2504-911 Caldas da Rainha