2026 é o último ano de quatro anos de apoio sustentado.
É o modo do regime em que contratualizamos com o Estado o que fazemos. Pela primeira vez em 41 anos soubemos o que eram quatro anos seguidos de projecto. Os anos entre 27 e 30 estão também definidos e o que propusemos a concurso teve 100% na classificação possível.
O que vamos fazer em 2026?
Na criação teatral será um ano cosido por estruturas dramáticas muito diversas e por três encenadores, três autores e colectivos de actores distintos.
Faremos A árvore que sangra, de Angus Cerini, Luz nas trevas, de Brecht e A experiência, de António Parra. Um contemporâneo, um clássico contemporâneo e um autor emergente, postos em cena por Fernando Mora Ramos, Luís Varela e António Parra. A árvore que sangra e A experiência no Pequeno Auditório do Centro Cultural e de Congressos das Caldas da Rainha- CCC e Luz nas trevas, o espectáculo de verão. Uma peça sobre a violência doméstica num registo inesperado, uma parábola sobre a formação do monopólio capitalista, um texto algo angustiado sobre a geração que anda na casa dos 30. Um australiano, um alemão e um português. A árvore que sangra será uma coprodução do Teatro da Rainha com o CCC. A experiência será uma coprodução do Teatro da Rainha com o CCC, o Teatro Municipal de Matosinhos Constantino Nery e A Turma, companhia do Porto.
Realizaremos um conjunto de exposições ainda revelando o que foram 40 anos + 1 de atividade teatral. De realçar a exposição no CCC com as coproduções concretizadas no Grande Auditório, a expo no antigo sótão da lavandaria do Hospital Termal com telas do pintor João Vieira para Letra M (Johannes von Saaz) e ainda uma nova exposição no Céu de Vidro aquando da exploração de Luz nas Trevas.
No plano editorial, realizaremos com a Companhia das Ilhas, parceiro de há mais de uma década, dois livros, A árvore que sangra, com tradução de Isabel Lopes, e Um estranho corpo dá ao palco, de Fernando Mora Ramos.
Extraordinária será a realização, conjuntamente com autarquia, de O Livro do Compromisso, da Rainha Dona Leonor, com coordenação editorial e revisão de Henrique Manuel Bento Fialho, com o nosso designer gráfico, José Serrão, e a colaboração da Associação Património Histórico e do Museu do Hospital.
Manteremos em cena e estarão disponíveis para circular os espectáculos seguintes: Órfãos, A Noite dos Visitantes e o pequeno formato Cenas de fim de boca.
Um estranho corpo dá ao palco, realizado como exercício em 2025, será apresentado como espectáculo em 2026 – em cena estarão Samuel Nhamatate, actor e bailarino moçambicano e o actor Fábio Costa.
O projecto Diga 33 – Poesia no Teatro continuará, agora no seu já nono ano de existência. De realçar que neste 2026 o Diga 33 integrará no seu esquema habitual de convidados uma vertente “poesia nas escolas”, iniciando um contacto com os mais novos de forma a que a poesia venha a ser um absolutamente necessário pão nosso de cada dia num momento em que todas as violências nos perseguem e uma cultura para a paz é secundarizada e desprezada.
Realizaremos, como todos os anos, um conjunto de oficinas de formação, compostas este ano de vários módulos orientados por Inês Barros, Fábio Costa, Tiago Moreira e Mafalda Taveira. E também uma Oficina de escrita numa correalização com a Fundação da Casa de Mateus. Essa oficina tem como orientadores Manuel Portela e Henrique Manuel Bento Fialho.
No final do ano, Isabel Lopes orientará uma Oficina de descodificação dramatúrgica e leitura de imagens centrada na peça Arturo Ui, de Bertolt Brecht, a partir do filme da encenação de Heiner Müller.
Em Dezembro, realizaremos um Teatro Espaço Vazio e Democracia sobre 50 anos de Política teatral, nas Caldas da Rainha e em conjunto com a Fundação da Casa de Mateus, logo a seguir, um segundo TEVD mais amplo, sobre políticas culturais em geral, com incidência particular nas artes performativas e nas questões do património.
No plano da programação e em regime de correalização com o CCC e o seu Director, Dr. Mário Branquinho, teremos entre nós o Cendrev, o Teatro das Beiras, o projecto Híperion, os Artistas Unidos, um espectáculo de Manuel Tur a partir de cartas de guerra, um acto de poesia e música com o Actor António Durães e o músico e compositor João Loio e uma instalação sonora de Francisco Leal.
O que poderemos dizer sobre esta programação?
Que o cruzamento e entrosamento das actividades de criação teatral em particular, se articula com actos de divulgação, formação, edição, formação, digressão e internacionalização que correspondem a objectos de natureza diversa questionando problemáticas que parecem eternizar-se, em particular aquelas que decorrem de uma banalização cada vez maior de todas as formas de violência, incluindo a menos visível que, sob a capa da liberdade, mina o regime e as mentes, a linguagem nas suas dimensões visiva e verbal.
Fernando Mora Ramos


