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Fotografias de ensaio.

Ficha Artística

Autor | Bertolt Brecht
Tradução e encenação | Luís Varela
Cenografia | José Carlos Faria
Figurinos | Manuela Bronze
Música original | Alexandre Branco Weffort
Desenho de luz | Hâmbar de Sousa
Desenho de som | Francisco Leal
Telão de fundo e pinturas | Fernando Travassos e Bartolomeu Gusmão
Interpretação | Isabel Lopes, Inês Barros, Mafalda Taveira, Fábio Costa, Hâmbar de Sousa, José Carlos Faria, Nuno Machado, Tiago Moreira, Fernando Tomás, Alexandra Sofia Rosário, Célia Franca, Maria Isabel Oliveira, Kamilly Luz Rocha, Carlota Rodrigues, Mariana Silvério, Mariana Santos, Alexandra Sofia Rosário, Célia Franca, Maria Isabel Oliveira, Kamilly Luz Rocha, Carlota Rodrigues, Mariana Silvério, Mariana Santos
Formação musical | Rúben Leiria (clarinete), João Heliodoro (saxofone tenor), Alberto Valongo (guitarra eléctrica), Francelino Silva (bateria) e o actor Tiago Moreira (guitarra elétrica)
Criação de imagem e design gráfico | José Serrão

M/12 | 1h20m

  • ESTREIA14 de Julho de 2026 | Ruína da antiga Casa da Cultura (espectáculo ao ar livre)

HORÁRIO

De 14 a 21 de Julho | 21H30

ENTRADA LIVRE

LUX IN TENEBRIS

Um tal Paduk, determinado a subir na vida, monta na rua dos bordéis um negócio com grande potencial de crescimento. O financiamento inicial vem de investidores beneméritos que preferem guardar o anonimato, as autoridades locais cedem o terreno e asseguram o funcionamento de outras infraestruturas para a instalação de um pavilhão onde terão lugar palestras sobre os malefícios da prostituição e as doenças venéreas a ela associadas. Do topo do pavilhão, um potente projector lança luz sobre as casas de perdição.

Os cidadãos que assistem às conferências têm direito ao espectáculo de um conjunto de amostras anatómicas conservadas em álcool dentro de bocais que exibem de forma eloquente os efeitos mais nefastos dessas horríveis doenças; há também reproduções em cera de um grande realismo de outras peças anatómicas, e quadros muito sugestivos sobre a actividade sexual fora do quadro da família. Um ajudante mal pago assegura as palestras, Paduk ocupa-se da bilheteira. Um potente projector lança luz sobre as casas da perdição. A Campanha de Educação Popular contra as Doenças Venéreas vai de vento em popa: lotações esgotadas, os cofres estão a abarrotar de moedas, a imprensa local faz uma grande cobertura do acontecimento com notícias de primeira página sobre o filantropo Paduk, o educador do povo que vai limpar a rua de todo aquele lixo, que vai acabar com a bandalheira, com a pouca-vergonha, que vai pôr ordem na cidade em nome da defesa dos valores fundamentais da família e da nação. E o homem fala muito bem, “exprime-se duma forma notável”, diz a imprensa que lhe dá palco e visibilidade.

Uma tal “madame” Hogge, dona duma “casa de meninas”, velha no negócio, experiente e ponderada, explorava tranquilamente um pequeno rancho de mulheres maduras e novas, bonitas e menos bonitas, mal pagas e maltratadas, sempre em rotação, que a mais velha profissão do mundo é de desgaste rápido, numa rotina tranquila e lucrativa de espumante barato, música romântica e uma oferta variada de serviços sexuais. Tudo se passava pelo melhor no melhor dos mundos até à chegada de Paduk com o seu pavilhão, o seu projector e as suas palestras.

Aí, a crise instalou-se: expostos à luz dos projectores ou pressionados pelos ensinamentos do paladino da virtude, os clientes do bordel debandaram e a “madame” Hogge está à beira da falência.

É a vida: a sorte de uns é o azar de outros. Será? Os empresários devoram-se uns aos outros ou fazem um fantástico acordo para melhor explorarem com proveito para ambos os recursos inesgotáveis que são as oficiais da mais velha profissão do mundo?

Luís Varela