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Ficha Artística

Tradução, adaptação e dramaturgia | Isabel Lopes
Encenação | Fernando Mora Ramos
Cenografia e figurinos | José Carlos Faria
Iluminação | António Plácido
Execução musical | António José Xavier, Francisco Carrilho, José Carlos Flores e José Carlos Faria
Interpretação | Carlos Borges, Fernando Mora Ramos, Isabel Lopes, José Eduardo e Victor Santos

Co-produção | Teatro da Rainha e Teatro dos Aloés

“Em Portugal eu vi já
Em cada casa pandeiro
E gaita em cada palheiro
E de vinte anos acá
Nam há hi gaita nem gaiteiro.”

Assim fala o “autor”, pela mão de Gil Vicente, na primeira parte de Triunfo do Inverno. Instalou-se uma tal tristeza que:

“ Se olhardes as cantigas
Do prazer acostumado
Todas tem som lamentado
Carregado de fadigas
Longe do tempo passado”.

Decide-se então escrever uma peça para contrariar tal clima.
Conta a vida desgraçada de dois pastores e de uma velha a quem o “Inverno”, sob a forma de “salvaje bruto”, faz a vida negra. Ao primeiro dos pastores, João Brisco, tornando impossível o pastoreio na serra, pois por todo o lado o regelo toma conta da tenra erva e na eira a chuva criou um lago. Ao segundo pastor, apaixonado por Inês Bilha, com quem o pouco que tinha gastou, o “Inverno” acaba por colocar um dilema: ou alguém o ajuda a proteger-se do frio ou pode morrer enregelado. Pede então a João Brisco a samarra. E este responde-lhe que não gastasse no que não se deve, e que ele não é doido porque “ um homem é muito louco, quando o que precisa dá”.
Brásia Caiada, a velha, vem descalça pela neve. Cumpre um contrato: se a serra assim passar o jovem Fernão sapateiro casa-se com ela. E como é belo, diz ela, “parece um alemão”. Estando já tão perto da terra, Brásia Caiada, está possuída de amores.
João Cigarra, sem samarra, acaba por soçobrar com o gelo e vemo-lo cair no branco manto.
Passaram-se então uns tempos e eis que reaparece João Cigarra, muito chagado, a pedir esmola. Já nem nome tem, agora é um pobre que pede.
Um dia aparece-lhe São Martinho que à sua cantilena de pobre responde cortando a capa que veste ao meio e oferecendo-lha.
Mas como uma capa ajuda mas não resolve o problema, porque como diz o provérbio chinês “é melhor ensinar alguém a pescar do que passar-lhe uma cana para a mão” e como os milagres não são diários, irrompe então um verão súbito que, além do mais, todas as qualidades da primavera transporta. E uma nova vida florescerá e com ela muito vinho vai jorrar e de novo se bailará em Portugal.