• ESTREIA13 de Julho de 2022 | Largo da Copa, Caldas da Rainha
  • APRESENTAÇÕESaté 16 de Julho às 21h30
  • RESERVAS E INFORMAÇÕESSegunda a sexta das 9h às 18h | Dias de espectáculo até às 20h | 262 823 302/966 186 871 (RESERVA OBRIGATÓRIA)

Ficha Artística

Tradução | Isabel Lopes
Encenação | Fernando Mora Ramos
Cenografia | José Serrão
Figurinos | José Carlos Faria
Desenho de Som | Francisco Leal
Iluminação | António Anunciação

Interpretação | Isabel Lopes, Cibele Maçãs, Fábio Costa, Fernando Mora Ramos, José Carlos Faria, João Melo, Nuno Machado e Ricardo Soares

Coro | Marta Taveira, Raniele Barbosa**, Tânia Costa**, Pedro Brás, Diogo Tomaz**, Diogo Marques**, Victor Duarte e Fernando Rodrigues

* Estágio profissional do IEFP
** Estágio Curricular

Peça universalmente conhecida de Maquiavel, exemplo de comédia renascentista, nela as regras clássicas se cumprem de acordo com o desenvolvimento sequente dos avanços narrativos até ao climax e volte face que geram o fim feliz. Só que, a engrenagem dramática, é posta ao serviço da máxima “os fins justificam os meios” numa perspectiva que mais que maquiavélica no sentido vulgar, digamos, é pragmática, contém alguma ciência útil, diplomacia, no caso desta intriga, com finalidade amorosa e não trapaça.
Lucrécia é casada com o velho Nícias que não consegue engravidá-la. Mulher de um só homem, é casta em tudo o mais, sendo a mais ingénua e bela das mulheres, pelo menos entre Paris e Florença. Calímaco, vindo expressamente de Paris aonde a fama da beleza dela chegou, logo apaixonado depois de alguma peripécia, só tem olhos para ela, está em coma amoroso. Nícias aceita que, por conselho médico, alguém lhe resolva o problema da gravidez dela/um filho dele, alguém que por ele cumpra o que ele não consegue – essa criatura morrerá, pois A Mandrágora que ela tome para ser “comida” de boa vontade, terá essa consequência, o que Nícias, o tonto-mor, papa. Calímaco está excitadamente disponível e Ligúrio, o mediador de interesses, lá compõe a intriga de modo a que todos se contentem, que ela engravide — com apoio da mãe e do cura, pacto sexual amplamente legitimado — que Nícias seja pai e que Calímico se estabeleça como amante bem vindo, incumbido da tarefa de ir fazendo de Nícias pai.
Na realidade, Lucrécia, depois da nova experiência não quer outra coisa, o que dá que os dois jovens amantes se amem de facto, como convém a um jovem casal — Lucrécia sugere a Nícias que Calímaco seja Compadre e Nícias dá-lhe a chave da sobreloja. Moral da história: por ínvios caminhos todos os envolvidos ficam satisfeitos, Calímaco que tem Lucrécia à disposição e esta a ele, a mãe Sóstrata que quer a filha conhecedora de prazeres, Ligúrio que ganha umas massas, Nícias que vai finalmente ser pai e o Padre Timóteo que enche a caixa de esmolas.
Na peça de Maquiavel assistimos à exaltação dos prazeres ao serviço de uma intriga tão bem montada que parece obedecer ao manobrar de alianças que, na política, urdem as vitórias, a narrativa é uma lição táctico-estratégica, a intriga uma forma de fazer política de alianças, a mentira uma arma ao serviço da verdade. De alguma forma, a peça, encerra a lição de O Príncipe, esse grande ensaio fundador da política moderna e que é mais que esse “os fins justificam os meios” porque, em Maquiavel, isso se liga a um princípio de exercício do poder político que persegue valores naturais e humanos, equilíbrios de comando político que vise a ultrapassagem dos poderes feudais e as visões parcelares, um poder numa lógica já centralizada e nacional.