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Ficha Artística

Tradução | Isabel Lopes e Fernando Mora Ramos
Encenação | Fernando Mora Ramos
Dispositivo cénico | Fernando Mora Ramos com a colaboração de António Canelas e Filipe Lopes
Iluminação | Carina Galante e Fernando Mora Ramos
Sonoplastia | Carlos Alberto Augusto
Interpretação | Isabel Lopes, Elisabete Piecho, Carlos Borges, Victor Santos e Paulo Calatré

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Ficheiro em PDF

Os dramoletes seguem a política da concisão máxima, são formas breves e nessa medida concentram também no veneno positivo que destilam em doses homeopáticas para cumprirem a finalidade que perseguem: a denúncia do reaparecimento hoje de formas de ideologia nazi. Veneno positivo como o que se aplica no caso da mordedura da serpente, isto é, um antídoto feito a partir do próprio veneno da serpente, que, de facto protege e cria imunidade ao verdadeiro veneno. Os dramoletes seguem esta lógica do antídoto, verdadeira homeopatia dramática na sua pedagogia didáctica, e seguem-na com uma violência política justa e estética, dramática, que responde ao modo como o nazismo exerce a sua barbárie sobre tudo o que são e representam o outro e os outros. São a defesa do outro pela exposição da tragédia do regresso ao mesmo, aos tempos da bestialidade e do massacre industrial. São portanto um contra veneno contra o veneno real, este ressurgimento a que assistimos de formas ideológicas e vulgares de comportamentos nazis. Como dizia Althusser a ideologia são as ideias mais os comportamentos. Nada mais claro nestes dramoletes: a exposição dos comportamentos xenófobos mostra como certa normalidade é monstruosa. Esse é o ponto de partida destes dramoletes.
E Bernhard escreve-os optando por um teatro politicamente empenhado porque observa na sua Áustria e na próxima Baviera como as coisas parecem regredir no tempo para esse tempo de que parecíamos libertos. Dramoletes 2 são três peças e levam-nos por esses caminhos de uma Europa que, no centro dela, imaginávamos extinta. O outro, nos textos, é a presença constante e indesejada dos turcos, dos estudantes, dos “aliados” de outrora, que despertam nos nacionais verdadeiros ataques de xenofobia militante. E o mais estranho é que todos os que estão ideologicamente contaminados são gente muito integrada e religiosos praticantes, vizinhas a sair da igreja, o polícia e a esposa, as duas mulheres na estrada e os senhores ministros e respectivas esposas em vilegiatura. E não se pode exterminá-los?