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Ficha Artística

Tradução e encenação | Fernando Mora Ramos
Dispositivo cénico | Fernando Mora Ramos com a colaboração de António Canelas
Iluminação | Carina Galante e Fernando Mora Ramos
Assistente de encenação | Miguel Araújo
Sonoplastia | Carlos Alberto Augusto
Interpretação | Isabel Lopes, Elisabete Piecho, Carlos Borges, Miguel Araújo e Victor Santos

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Ficheiro em PDF

Dramoletes 1 / Coveiro integra três dos sete dramoletes escritos por Thomas Bernhard: “Match”, “O Morto” e “Mês de Maria”.
No primeiro dramolete, a esposa de um polícia extenuado, entre a perversidade mórbida da necessidade de violência para impor tranquilidade social e o sexo a fazer, põe a nu o seu primarismo de candidata a mulher dos SS; No segundo, a visão alucinada de um morto traz à tona a actividade “normal” de uma colagem de cartazes com cruzes suásticas; No terceiro, duas beatas saídas da Igreja maldizem os turcos que se aproximam do cemitério e uma delas, excitada, promete gaseá-los.
Estaremos perante um teatro político? Certamente, mas na sua melhor forma, isto é, teatro não panfletário, teatro de uma identificação a cru das taras pós modernas do conservadorismo que, como poder, continua nesta Europa do pós-guerra a governá-la em conúbio com o pior dos fanatismos.
Política no sentido mais nobre, o da exposição clara do que os meios de desinformação da realidade tentam sempre: camuflar o que é monstruoso na sua bestialidade e tido como normal, ou pela ausência de notícia ou pelo excesso da sua exposição. Quanto mais se dramatiza menos de dá a ver, quanto mais se “sensacionaliza” menos se dá perceber.
Eis a contra-estratégia dos dramoletes: fazer o retrato indesmentível do pior da história europeia como vida coetânea e normalidade aceite, o nazismo, num gesto claramente acusador.”