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  • ESTREIA15 de Novembro de 2023 | Pequeno Auditório do CCC
  • Apresentações15,16,17,18,24 e 25 às 21h30 | 19 às 16h
  • Sessões para as escolas mediante marcação16,17,22 e 23 às 15h
  • ConversaAs Antígonas, com José Pedro Serra
  • INFORMAÇÕESSegunda a sexta das 9h às 18h | Dias de espectáculo até às 20h | 262 823 302/966 186 871

É sempre arriscado revisitar um clássico, sobretudo quando já foi revisitado por outro autor. Contudo, pareceu-nos imprescindível, à luz dos dias que correm, revisitar Antígona — a de Sófocles e a de Carson —, apresentando Antigonick.

No clássico grego, Antígona é condenada à morte após a violação de um dos éditos de Creonte, que a impedia de dar sepultura digna ao seu irmão, Polinices, considerado um traidor. A originalidade do trabalho de Anne Carson na adaptação desta personagem – reinventada inúmeras vezes – é o minimalismo radical que escolheu para “traduzir” este espectáculo. É mais adaptação que tradução, fruto da urgência de redifundir a mensagem de coragem, luta pela justiça e desobediência, vinculada no texto clássico.

Poderia ser considerada uma peça sobre o luto e a responsabilidade moral que temos para com os mortos, mas desengane-se o espectador. Antigonick é, para lá disso, um apelo à desobediência civil quando somos governados por tiranos, por haver uma diferença radical entre justiça e legalidade e porque todo o plano autocrático deve ser combatido com uma vontade inabalável.

A Antígona de Carson não apresenta qualquer respeito por um poder degenerado em totalitarismo — quando é condenada nem sequer tenta argumentar o seu caso como faz no texto clássico, o rei já não merece da sua parte o mínimo respeito, a sua recusa da injustiça é tão obstinada que poderíamos pensar que enlouqueceu, distanciando-se radicalmente da personagem sofocliana. Só vendo um Creonte inebriado pelo poder e por um egocentrismo desmesurado se pode aceitar os actos de Antígona, só vendo como ele a despreza e a violenta podemos compreender esta convicção que anima a personagem.

A tragédia grega é de tal forma exacerbada que já não há ideia de futuro, há apenas o arrependimento de não se ter aprendido mais cedo, de não se ter agido mais cedo. Às vezes é mesmo tarde demais.

Ficha Artística

AUTOR | Anne Carson
TRADUÇÃO | Isabel Lopes
ENCENAÇÃO | Fernando Mora Ramos
INTERPRETAÇÃO | Isabel Lopes, Nuno Machado, Beatriz Antunes, Mafalda Taveira, José Carlos Faria, Henrique Manuel Bento Fialho, Fernando Mora Ramos, João Costa, Fábio Costa, Carlos Borges e Diogo Marques
DESENHO DE LUZ | Jorge Ribeiro
CENOGRAFIA e CRIAÇÃO DE IMAGEM | José Serrão
FOTOGRAFIAS | Margarida Araújo

 

M/14